quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A REVOLTA DOS PERDIGOTOS

Homoterrorismo é a desimportância em desespero. A sexualidade é inalterável e inatingível. E quando se trata de sexualidade, só existe uma coisa no mundo que consegue ser mais desprovida de importância que a opinião pessoal: o julgamento moral.


Você pode julgar quanto quiser a sexualidade alheia. Não tem importância. Você pode ser hétero e fazer a elegia dos seus amigos gays. Não tem importância. Você ser gay e fazer piadas maldosas sobre o comportamento "careta" dos héteros. Não tem importância. Eles não deixarão de ser o que são. Você pode ser conservador e barrar leis no Congresso, fazer passeatas pela família, dizer que o mundo está acabando, que Deus vai punir a todos. Não tem importância, não passa do registro da fofoca, ninguém vai deixar de se deitar com quem quer. Pode até deitar escondido, ou demorar a criar coragem, mas vai deitar. Deitar e suar e trocar saliva e outros fluidos que, com sorte, ficarão na camisinha. E você pode achar isto nojento. Mas não tem importância.


Pois a sua opinião e o seu julgamento sobre a sexualidade alheia não tem importância. Porque é alheia. Se é alheia, é do outro; se é do outro, não é sua; não sendo sua, não vai mudar por sua causa. Você pode ser deputado crente ou padre pitboy, pode ser simpatizante ou skinhead, pode ser presidente do Irã ou suplente do PTC, grandes coisas, azar o seu, a sexualidade alheia continuará a não ser da sua conta. O pessoal vai continuar deitando e suando e trocando saliva enquanto você desperdiça os seus perdigotos uivando indignações pelas esquinas.


Aí, numa desesperada tentativa de não admitir que seu julgamento moral é inútil, você joga uma bomba. Você pode até matar alguns indivíduos. Ferir outros. Emperrar a vida de muitos. Vãs tentativas de ter importância, pois não vai, jamais, impedir que o mundo gire, a lusitana rode e as pessoas se deitem com quem quiserem, como quiserem. Seu julgamento moral e sua opinião, quaisquer que sejam, serão para sempre da mais profunda desimportância.


A não ser, claro, para você mesmo. Pois como diz Tennesse Williams na voz de Chance, o protagonista de "Doce pássaro da juventude", a grande diferença entre as pessoas neste mundo "não é entre quem é rico e pobre, bom ou mau. É entre quem tem ou teve prazer no amor e quem nunca teve prazer no amor, apenas observou, com inveja, inveja doentia.”

Texto: João Ximenes Braga
Imagens: Reprodução

terça-feira, 10 de novembro de 2009

HOMOFOBIA RELIGIOSA


The West Wing

Trecho legendado em português do seriado "The West Wing", com um debate sobre Bíblia e homossexualidade. Nele, o presidente americano cita as bolas de futebol americano que são feitas com pele de porco. Pra calar a boca desses senhores religiosos que são, na verdade, preconceituosos e moralistas, que disseminam o ódio social quando são contra os homossexuais. Não vejo nenhuma diferença entre eles e os que queriam apedrejar Maria Madalena, porque também estava nas escrituras que prostitutas deveriam ser apedrejadas. Mas Jesus Cristo preferiu salvar a mulher e não ligar pras escrituras. Se esses senhores se dizem religiosos, por que não seguem o exemplo de Cristo? Volto a afirmar, porque "curar homossexual" serve para manter o faturamento da igreja. Eles estão defendendo o dízimo. Só isso.

O FUTURO É GAGA

A música não é tão boa quanto "Poker Face" ou "Paparazzi" mas não há como resistir ao apelo visual de Lady Gaga. Enquanto todas as cantoras se esforçam em apenas parecer putas gostosas, Gaga apresenta um show incrível de imagens, com roupas absurdas, danças teatrais e muita encenação. Além da voz continuar poderosa. Além de seus clipes serem todos grandes produções, né Madonna? O futuro do Pop é Gaga e nem um pouco demente.

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Lady Gaga - Bad Romance

DE TODOS


O projeto que criminaliza a homofobia foi aprovado na Comissão de Assuntos Sociais e agora segue para a Comissão de Direitos Humanos. O texto foi alterado, ainda não é tão avançado quanto o de países mais desenvolvidos, mas já é uma grande vitória. Parabéns pra todo mundo! Sabe, ainda há jeito. O negócio é a gente insistir. Continuar falando disso em blogs e com o maior número possível de pessoas. E COBRAR DOS POLÍTICOS. Ligar pra eles, falar que esse é um assunto de DIREITOS HUMANOS. Não é justo que algumas pessoas sejam discriminadas apenas porque gostam de pessoas do mesmo sexo. Algumas pessoas são assim, os outros têm que aprender a viver com isso. Homossexuais não querem destruir nada, nenhuma ordem ou moral de qualquer família ou o que seja. Eles querem apenas poder existir e ter amparo das leis. Quando um país é justo com as minorias, ele se torna um país melhor para todos.

Imagem: Reprodução

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

EM PARTICULAR


Não tenho NADA CONTRA nenhuma religião em particular. Mas quando o religioso prefere defender uma DOUTRINA ao invés do SER HUMANO, aí eu sou contra. Religião evangélica, em geral, é assim: o pastor apresenta o problema, o inferno, depois apresenta a solução, Deus, e depois se apresenta como aquele que vai lhe conduzir até o paraíso. Pra isso, ele precisa do problema, que pode ser social, como a pobreza, ou pessoal, como alguém que tem que lidar com sua homossexualidade. Nenhum religioso que é contra direitos dos homossexuais está defendendo quaisquer valores que não sejam financeiros. Porque para lhe "ajudar" na solução desse que seria um problema, a homossexualidade, ele vai lhe pedir o famigerado dízimo. Religioso que é contra leis que protejam minorias, na verdade, está defendendo o faturamento da sua igreja. Há algumas décadas, religiosos não consideravam que negros e índios possuíam alma. Os homossexuais, hoje, são os negros do mundo. Religião deveria servir para lhe fazer bem, para lhe pôr em contato com algo superior, porque é bom. Jean-Paul Sartre disse que o inferno são os outros, mas você só cultiva Deus, de fato, quando trata bem seu semelhante. Fico muito mais comovido quando vejo o rosto desfigurado de um homossexual, que apanhou apenas por causa disso, por ser gay, do que qualquer palavra que saia da boca de um religioso vestido com um terno - e de ideias - de péssimo gosto.

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sábado, 7 de novembro de 2009

IF THESE WALLS COULD TALK 2

Esqueça o título sensacionalista em português, "If These Walls Could Talk 2" é um filme lésbico lindo. Se você é gay ou não, e ainda mantém a burrice de ter preconceito contra lésbicas, assista (já está legendado) e mude de ideia.


A primeira parte é delicada e triste. Se passa em 1961, quando Edith (Vanessa Redgrave) perde sua companheira Abby e tem que, além de lidar com a morte do amor de sua vida, aguentar as injustiças de viver numa sociedade que não reconhece seus direitos. Pra começar ela não pôde nem acompanhar Abby nos seus últimos momentos no hospital, porque, é claro, não era parente próxima. Ela pede pra ver Abigail, mas como não é parente reconhecida - como de fato é, sua esposa - ela é proibida de vê-la. Edith decide ficar na sala de espera a noite toda e pede para ser avisada caso algo aconteça à sua companheira. Quando acorda, descobre que sua companheira faleceu e ninguém disse nada a ela.

Pra piorar, a casa que as duas ajudaram a pagar estava no nome de Abby, o que quer dizer que ficará de herança pro sobrinho banana que nem a conhecia direito, ao invés de Edith, que durante anos considerou a casa como seu lar. Ela nem tem tempo de chorar pela mulher dela, precisa arrumar o lugar pra parecer o mais hétero possível, como se elas fossem só amigas... E é obrigada a ver a mulher do cara passeando pela casa com olhar de águia avaliando e já empacotando os móveis e objetos que quer levar.


É simbólico da intolerância desse período histórico, que logo no começo do filme Abby e Edith assistam ao filme "The Children's Hour" no cinema, um dos únicos filmes a tratar do tema da homossexualidade nos anos 60, mas que em compensação termina com a protagonista interpretada por Shirley MacLaine se matando por não conseguir viver com esse sentimento. A sensação que fica desta primeira parte de "If These Walls Could Talk 2" é de completa impotência face a uma sociedade intolerante e injusta.

Por isso devemos lutar para que possamos ter nossos direitos, para que se algum dos cônjuges vier a falecer, não apareçam parentes predadores que queiram levar tudo embora e deixar o parceiro que não morreu, além de com toda a sua dor, também a missão de se virar sozinho nessa vida. Que a gente mude essa terrível realidade enquanto estamos vivos e que a gente se vire estando todos juntos. Porque é assim que estamos.

Mas se você se interessou pelo filme por causa do título apelativo em português, tem a incrível Ellen DeGeneres se pegando com a Sharon Stone.

Texto: partes do site Oráculo de Lesbos
Imagens: Reprodução

NEM O DIABO

Eu fico impressionado com os argumentos que as pessoas usam para ir contra os direitos dos homossexuais. Abismado mesmo com a capacidade da maldade humana ser usada de uma forma que até mesmo o diabo invejaria. Pessoas que supostamente teriam mais esclarecimento são as que mais me deixam chocado. Tudo bem que a humanidade seja desumana, afinal é a burrice que nos move. Basta ver o que faz "sucesso": jogos de futebol que matam torcedores, novelas que perpetuam mentiras romantizadas, best sellers que não dizem nada sobre nada e o que é pior, escritos por pessoas que não sabem escrever e lidos por gente que não sabe o que lê. A internet, que seria uma ferramenta incrível para aumentar o autoconhecimento serve mais para propagar pornografia ou blogs de famosos, lotados de comentários e acessos, que apreciam descrever o vazio. Não que eu seja contra o sexo ou o gosto vulgar, mas qual é o limite para essa cãibra mental?


Quando leio que promotores de justiça ou filósofos são ferrenhos opositores à causa gay, eu desanimo. Eles reclamam que os homossexuais vão contra os fundamentos dos valores da família brasileira. Dizem que o que classifica a homofobia como crime atenta contra uma alegada liberdade de opinião. Dizem que queremos impor uma "ditadura gay", num desrespeito inacreditável às milhares de famílias que perderam membros nesse horrendo regime. Gays não querem torturar ninguém na prisão. Eles querem deixar de ser torturados em suas próprias prisões. No fundo, esses senhores querem continuar a poder xingar alguém de viado, porque para eles viados são isso, um palavrão, a escória. Querem poder dizer que Deus condena os gays e que através deles, se você pagar, é claro, eles podem lhe curar.

Curar do quê?

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... RECONHECERIA VOCÊ

O que precisamos curar é essa intolerância e culpa religiosa. O que precisamos tratar é essa burrice que transforma o que o homem faz com seu sexo ou seu gosto mais importantes do que faz com sua consciência. O que temos que lutar contra é com o fato de que o pensamento coletivo - formado e guiado por doutores e religiosos, a torcida campeã, a senhora que assiste novela, o culto leitor e o comentarista do blog - considera o homossexual como alguém que mereça o que tem (violência, incompreensão até dos pais, e morte) porque ele é diferente. E se quer continuar assim e, veja que absurdo, ainda ser tratado como alguém, precisa saber qual é o seu lugar, que não é ao lado deles.


Uma vez, meu tio me disse que isso de respeitar os mais velhos apenas por causa da idade não vale porque até os canalhas envelhecem. Eu não consigo respeitar gente que, mesmo tendo a oportunidade de se educar, não aprendeu a lição mais simples e urgente: se tornar mais humano. Isso não se consegue com diplomas e pode ser que seu pomposo título de doutor, ou a sua heterossexualidade, escondam qual seja a sua real face de genocida. Isso não se esconde por trás de intelecto ou descaso ou burrice. Isso não o impede de não ser reconhecido por trás do altar consagrado a um Deus que é amor, mas que lhe permite odiar.

Eu reconheço.


Get Your Own Player!




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MOBILIZAÇÃO NACIONAL

Eu costumo tirar férias do blog em novembro porque tenho muita coisa pra fazer e ter um blog demanda tempo. Mas como recebi e-mails me falando da tal enquete no site do Senado, tenho que falar a respeito.

Olha, colocar para votação popular direitos das minorias é burrice. A maioria não trata a minoria com respeito, por isso torna-se necessário que exista uma legislação que puna abusos. Da mesma forma que há leis contra o racismo, hoje é impensável imaginar alguém xingando o outro de macaco e saindo ileso. Ainda acontece, mas todo mundo sabe que é racismo e que deve ser punido. Para isso existem leis. Se fosse deixar pela opinião da maioria, ficaria no que era antes mesmo. Mas xingar de viado todo mundo xinga e muita gente não quer que mude.

Estados democráticos analisam, com a ajuda de profissionais das mais diversas áreas, como uma política de proteção a uma minoria deve ser implantada. Não consultam a população. Por isso, NÃO LIGUE PARA ESSA ENQUETE. É até "bom" que ela mostre o quanto a sociedade brasileira é preconceituosa.

Agora, não dá para não fazer nada. Os "cristãos", especialmente alguns evangélicos, estão muito bem organizados para continuar barrando a aprovação de leis que protejam os homossexuais. Eles deturpam o texto de tal maneira que parece algo até criado pelo próprio demônio. Não sei como ainda se consideram "cristãos". Ao ler sites diabólicos como esse, é que me dou conta do horror que eles fazem. Mas eles estão aí, distorcendo tudo e chegando ao ponto de acusar de perseguição religiosa a criação do PL 122/2006.

Você pode ser contra os homossexuais. Agora, você não pode se proteger sob a religião para ter o direito de pregar o ódio social contra eles. Não importa se a sua religião condena a homossexualidade. Ter uma religião é opcional. Ser gay, não. Ser homofóbico também não pode ser.

Um leitor me indagou o que eu fazia então para lutar contra essa realidade, pois eu disse a ele para não ligar para essa enquete. Bem, faz um tempo que eu li no site A Capa que as assinaturas do site Não, Homofobia estavam paradas em pouco mais de 32.000. Separei 3 dias inteiros da minha vida, criei posts e banners, escrevi para quase 600 blogs e páginas de pessoas conhecidas e consegui, com a ajuda de muitos, fazer com que as assinaturas passassem para quase 50.000 em algumas semanas. Infelizmente, as adesões continuam poucas. Mas eu fiz algo e continuo fazendo. Não saio condenando homos que não fazem nada. Na maioria das vezes, eles nem sabem porque nada fazem.

Mas você pode fazer.

O serviço do "Alô Senado" recebe ligações para ouvir sua opinião sobre o Projeto de Lei 122/2006. Ligue agora mesmo - 0800 61 22 11 - é uma ligação gratuita e pode ligar de celular. Peça aos senadores de seu estado e os demais para votarem a favor do Projeto PLC 122 /2006 que visa diminuir a discriminação contra a comunidade LGBT.

A telefonista vai pedir seu nome completo, CPF e CEP de sua residência. Estes dados são para evitar que a mesma pessoa ligue diversas vezes. Ligue, é seguro. Caso não se lembre quais são os senadores de seu estado, não se preocupe, pois a telefonista irá informar.

Entre no site do Senado: www.senado.gov.br e peça aos senadores para estarem atentos a este projeto de lei. Faça a sua parte também nas listas de discussão LGBT, blogs, Orkut, MSN, Twitter, etc. Não dá mais pra gente votar e esquecer quem nós elegemos.

Os "cristãos" não esquecem.

Texto: partes do site gay.com.br
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